O renascer de «Frankenweenie» e de Tim Burton…

Frankenweenie, a última longa metragem de Tim Burton, é um remake do seu projecto pessoal, uma curta com o mesmo nome, realizado há 28 anos atrás.  A animação em stop-motion,  simplesmente brilhante, revela-nos uma história baseada na relação de um Tim Burton criança e o seu cão, que como o próprio afirma, é uma das primeiras relações que um jovem experiencia. Em Frankenweenie  é Victor  (voz de Charlie Tahan) que viverá a sua maior aventura a par do seu cão Sparky.

Todo o filme é uma homenagem a filmes de terror antigos, começando pelo plano inicial onde presenciamos Victor a mostrar aos seus pais um filme caseiro em Super 8, onde a estrela do filme – o seu cão Sparky, caracterizado como um super réptil/dinossauro – destrói uma cidade feita de brinquedos, passando pelas imagens do filme de terror Drácula e pela alusão óbvia a Frankenstein. Os nomes das personagens  reforçam esta ideia, o nome da autora de Frankenstein, Shelley,  pode ser lido na lápide de uma tartaruga morta, de igual modo os amigos de Victor chamam-se Elsa Van Helsing (Wynona Ryder) e Edgar ‘E’ Gore (Atticus Shaffer). Uma outra amiga, personagem repescada dos desenhos de Tim Burton, Staring Girl (Catherine O’Hara) é dona de Mr Wiskers, o gato que assombra Victor com os seus sonhos premonitórios.

Tudo acontece em New Holland, quando o Sr. e a Sra. Frankenstein tentam motivar o jovem Victor a ser mais “saudável” e “normal” praticando algum desporto… E é aqui que tudo corre mal, quando a bola de basebol começa a rolar pela estrada e Sparky é atropelado ao persegui-la. Victor decide então dedicar-se á exploração das fronteiras da ciência…desafiando as suas regras. A crítica ao que é o estabelecido e a norma vigente é bastante clara. Vemos isso quando a cidade se revolta contra o Professor de ciências, que no seu discurso apoteótico se defende ao dizer que as pessoas têm medo muitas vezes por falta de conhecimento e que preconceito é sinónimo de ignorância. A mente inquieta e questionadora de Victor leva-o ao processo da descoberta científica e das suas frustrações, consciente de que a ciência não é boa nem má, apenas os seus fins podem ter essa conotação.  O som, os efeitos visuais e toda a construção minuciosa do cenário fazem dos planos das experiências   momentos altos do filme.

O regresso desta história devolve um Tim Burton diferente do que temos visto nos últimos tempos. Frankenweenie é um exemplo do melhor que o mundo fantástico da cabeça deste mestre tem para oferecer com a sua criatividade sem fronteiras. O renascer do universo gótico que tanto o caracteriza,  a construção de personagens introspectivas, que não se encaixam no padrão normal dos comuns mortais. O uso de preto e branco realça o tom gótico ao espaço cénico, sempre cheio de sombras, conferindo-lhe uma atmosfera misteriosa.

Será o início de mais uma vaga do melhor cinema de Tim Burton?

Classificação (0-10): 8

Frankenweenie | 2012 | 87 mins | Realização: Tim Burton | Argumento: John August,  Leonard Ripps e Tim Burton | Vozes: Winona Ryder, Catherine O’Hara e Martin Short

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