«Hermano», este jogo disputa-se até ao fim

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A vida vai sempre marcar-nos golos, por isso é importante lembrarmo-nos, que todos os dias o jogo começa 0-0.

Um filme sobre o amor, a luta pela sobrevivência e as oportunidades que a vida nos vai dando. Hermano, a primeira longa-metragem de Marcel Rasquin, integrado na 3ª Mostra de Cinema da América Latina, conta-nos a história de vida de dois irmãos venezuelanos que lutam por um sonho que os libertará. Os planos abertos e todos os pormenores de cenários ou guarda-roupa situam a história numa favela em Caracas, onde Daniel (Fernando Moreno) e Julio (Eliú Armas) vivem e onde jogam futebol pela equipa de La Ceniza. O futebol surge neste filme como uma personagem central, pois toda a trama gira em seu redor: o que acontece, quando acontece e porquê, está meticulosamente ligado ao desejo profundo de Daniel, que é tido como um talento prodigioso, de agarrar a oportunidade da sua vida. A temática do futebol é encarada no filme não só como uma paixão, mas também pelo seu poder social, a sua capacidade de incutir por vezes valores morais, como a noção de equipa, de lealdade (notório na personagem de Daniel que tenta proteger todos à sua volta, tomando sempre a decisão mais sensata); por outro lado, a natureza igualitária do futebol, onde todos pelo mérito do seu talento podem ter direito a uma segunda oportunidade na vida.

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O lado mais escuro da favela é abordada pela outra metade da história, Júlio, o irmão que pertence ao gangue que traz dinheiro sujo para casa, que age por impulso e vingança. A densidade dramática de cada personagem é extremamente bem conseguida, e as complexas camadas da história fluem, causando uma sensação de avalanche de realidade nos nossos olhos. A banda sonora intensifica os momentos de maior densidade dramática, fazendo com que deixemos de ser meros espectadores indiferentes, mas sim amigos ou parceiros destas personagens. Com uma sequência final absolutamente arrebatadora, Hermano é certamente um dos melhores filmes que passou por Lisboa no ano de 2012.

Marcel Rasquin_1Marcel Rasquin, é um jovem realizador venezuelano movido pela paixão por filmes e pela vontade de contar histórias. Começou os seus estudos em Caracas e fez uma pós graduação e mestrado em Filmes e Televisão na Victorian College of the Arts na Austrália. Com uma experiência diversificada, tanto na produção de programas de televisão e de rádio, como na realização de publicidade, Rasquin já realizou várias curtas-metragens como Easier Rider ou Ring and Happy Endings, reconhecidas em festivais como os de Sydney, Nova Iorque, Chicago, etc. Hermano tem sido um verdadeiro sucesso de bilheteira na Venezuela. Premiado no Festival Internacional de Moscovo em 2010, foi o primeiro filme da história a ganhar os três prémios no festival: melhor filme, prémio do público e prémio da crítica. Rasquin está actualmente a preparar o seu próximo filme.

Classificação (0-10): 9

Hermano | 2012 | 97 min | Realização: Marcel Rasquin | Argumento: Rohan Jones, Marcel Rasquin | Elenco: Fernando Moreno, Eliú Armas, Ali Rondón, Marcela Girón e Gonzalo Cubero

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