A fértil e cobiçada «Terra Prometida»

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15 anos depois de O Bom Rebelde, Gus Van Sant e Matt Damon juntam-se novamente em Terra Prometida. Desta feita Damon partilha os créditos com John Krasinski (The Office, Um Lugar Para Viver) e, além de protagonizar o filme, a dupla assina ainda a escrita do argumento e a produção (inicialmente estava até previsto que fosse Damon o realizador)

A trama arranca numa cenário em que tudo parece correr como previsto: uma multi-nacional líder na exploração de gás natural coloca dois enviados numa cidade onde pretende implantar a sua actividade com o objectivo de levar os proprietários a venderem a utilização dos seus terrenos. Quais camaleões, Steve (Damon) e Sue (Frances McDormand) integram-se na comunidade (roupa e viatura incluídos) e apresentam-se com a lição bem estudada. Munidos com o dom da palavra e da persuasão, acenam aos locais com algum dinheiro, um pouco de sentimentalismo em torno do bem da comunidade e das gerações futuras e voilá, negócio fechado.

Mas este é um lugar diferente, onde um professor universitário aposentado (Hal Holbrook) decide levantar questões que acendem o debate e levam para votos a aceitação da empresa. Neste contexto surge em cena o ultra-ambientalista Dustin (Krasinski), disposto a deitar por terra os esforços da empresa. Ergue-se assim um confronto não apenas entre dois homens mas entre duas histórias e visões distintas: Steve acredita que a economia precisa de ser mantida e que a única forma de o fazer é explorar os recursos e rentabilizá-los ao máximo; Dustin considera que os recursos naturais devem ser preservados independentemente dos lucros que da sua exploração poderiam advir. Ao mesmo tempo, ambos disputam o coração da jovem professora Alice (Rosemarie DeWitt), de resto uma dimensão da narrativa que distrai em demasia do motivo central.

Os recorrentes planos aéreos mostram a pequena cidade no seu todo, retratam a sua envolvente e a riqueza natural, simbolizando a necessidade de considerar a “big picture” na abordagem ao problema. Como no próprio rumo do filme, não há há vilões nem heróis absolutos, nada é simplesmente preto ou branco nem exactamente o que parece.

Ainda assim, Terra Prometida não deixa de ser uma história ficcionada que não está longe da realidade num mundo corporativo e num sistema económico cujo crescimento incessante é a sua condição sine qua non, para a qual não existe nenhum plano de emergência. Porém, e apesar da temática forte, é um filme politicamente suave, relativamente amoralista e um dos mais conservadores do realizador norte-americano.

Para além do tema, o que salva o filme da banalidade e o coloca num patamar cinematográfico interessante é sobretudo a sua experiente e sólida realização, as interpretações acima da média de Damon, KrasinskiMcDormand e a banda sonora de Danny Elfman.

Nota: se a curiosidade em conhecer os meandros da exploração deste tipo de recurso natural ficou desperta, um bom começo é o documentário GasLand.

Classificação (0-10): 7

Terra Prometida | 2012 | 106 mins | Realização: Gus Van Sant | Argumento: Matt Damon e John Krasinski | Elenco: Matt Damon, Frances McDormand e John Krasinski

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