Os segredos de realização de Danny Boyle

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Da irreverência de Trainspotting ao flop de A Praia, do experimental 28 Dias Depois ao multi-premiado Quem Quer Ser Bilionário?, do hiper-realista 127 Horas ao vicioso Transe. A lista não fica por aqui e Danny Boyle é já dono de uma carreira invejável e multi-facetada. Mais frequentemente conotado com um cinema independente e alternativo, não escapa às inúmeras críticas que acusam da sua excessiva preocupação comercial e apelativa. Aliás, o próprio já confessou que o segredo do seu sucesso está em fazer com que os seus filmes pareçam de grande orçamento sem o ser. E são precisamente alguns dos segredos do realizador britânico que aqui revelamos, com num conjunto de entrevistas que  deu na sua mais recente passagem pelo festival SXSW. Transe, o seu novo filme, estreia em Portugal já esta semana.

1. Os realizadores…e os padres

“Existem algumas semelhanças entre o realizador e o padre. Os padres também dirigem os fiéis, ao passo que alguns realizadores eram para ter sido padres, como Martin Scorcese ou John Woo. Para além disso, confessar os pecados através dos filmes é bom. Viajas por lugares obscuros e contactas com o teu lado negro.”

2. Estudar os actores

“O teatro é um lugar de acesso mais fácil, lá aprende-se a técnica. Eu aprendi a lidar com os actores. No meu novo filme, Transe, Rosario Dawson diz a certa altura que ‘5% da população é extremamente sugestionável.’ Existem técnicas para encontrar esses 5%, que são muitas vezes actores que querer mudar, fazer coisas que os modifiquem. Acho que isso acontece com os actores: querem experienciar algo e contar uma história. Tens de confiar que o teu actor é um contador de histórias. Até porque a maioria das pessoas vai ao cinema por causa dos actores.”

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3. A magia do teu primeiro filme não volta a acontecer

“Há qualquer coisa de maravilhoso em torno da tua primeira vez. Filmar é algo muito técnico, há demasiados elementos manipulativos, que constróis especificamente para produzir um efeito. É uma pena que não se repita a inocência da primeira tentativa.”

4. Mente aos teus investidores e ganha um Oscar

“Há aqui uma certa perversão e isso é delicioso. Usámos o impacto do Quem Quer Ser Bilionário? para fazer o filme que realmente queríamos. Ninguém ia querer produzir o 127 Horas, porque afinal de contas é apenas um tipo sozinho durante seis dias. Tens de lhes mentir e dizer: ‘Sim, é um filme de acção mas só com um homem!’ No caso do Quem Quer Ser Bilionário? não lhes disse que um terço do filme seria falado em hindi. Ok, arrancam-se os olhos a uns miúdos lá pelo meio, mas é quase como cruzar a Amélie com o Trainspotting! Diz-se o que for preciso para que o filme seja feito.”

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5. O poder da música

“Eu tinha 20 anos em 1978 e foi um tempo fantástico. 15 anos depois surgiu a cultura rave no Reino Unido, e eu já tinha idade para a apreciar. Teria cerca de 35 anos, altura em que comecei a fazer filmes. Apesar do livro Trainspotting falar de drogas, o filme é sobre a cultura de dança. Fizemo-lo assumidamente. Queríamos fazer um filme sobre drogas agradável de ver, já que a maioria são deprimentes. Claro que há pessoas a consumir heroína, a vomitar ou sentadas num canto durante 10 horas, e isso não é cinemático. A droga destrói as pessoas no filme, mas o seu ritmo é expresso num tempo diferente. Por isso a música é tão importante no Trainspotting. Há um caminho secreto entre a pop, a electrónica e a brit pop.”

6. Os filmes devem arrebatar

“Eu adoro a energia nos filmes. Quero que os meus filmes sejam hipnotizantes. Eu via isso nos filmes do Nic Roeg, nos quais se fica agarrado às personagens e não há oxigénio. Não discutimos um filme numa sala escura, mas sentimo-lo e experienciamo-lo. Depende do contexto, mas em geral quando pagas um bilhete de cinema queres ser assaltado pelo filme. Eu quero que o meu filme te assalte.”

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