«Shun Li e o Poeta»: um olhar humano e real sobre as migrações

Shun Li e o Poeta Cartaz

Shun Li e o Poeta, a longa-metragem de estreia do realizador Andrea Segre, chega esta semana às salas de cinema portuguesas – Cinema City Alvalade, em Lisboa, e ZON Lusomundo Dolce Vita, no Porto. O filme arrecadou diversas distinções ao longo do ano de 2012, entre os quais a competição da Festa do Cinema Italiano e recentemente uma nomeação para o Prémio do Público dos Prémios do Cinema Europeu, e conta a história de Shun Li, uma mulher que trabalha num laboratório têxtil na periferia de Roma para obter os documentos necessários à chegada do filho a Itália. De repente, é transferida para perto de Veneza, para trabalhar como empregada de balcão numa taberna que Bepi, pescador de origem eslava, chamado ‘o Poeta’, costuma frequentar. O encontro entre eles é uma fuga poética da solidão, um diálogo silencioso entre culturas diferentes que já não são distantes. Esta amizade, porém, incomoda quer a comunidade chinesa quer a local, que se opõem a esta relação da qual talvez ainda tenham demasiado medo.

Em Shun Li e o Poeta a personagem principal, Shun Li, é representada pela actriz Zhao Tao, protagonista nos últimos cinco filmes do realizador Jia Zhang-ke, entre os quais Still Life – Natureza Morta, que ganhou um Leão de Ouro na 63ª Mostra Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza. O actor Rade Sherbedgia que representa Bepi, o poeta, é um dos mais conhecidos actores da ex-Jugoslávia, recebeu um Leão de Ouro na 51º Mostra Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza e trabalhou com realizadores como Stanley Kubrick, em Eyes Wide Shut.

Andrea Segre pensou este filme a partir do encontro verídico com uma emigrante chinesa que servia ao balcão na pequena localidade de Chioggia, vila onde nasceu a mãe do realizador e onde este viria mesmo a rodar o filme. A abordagem realista de Shun Li e o Poeta faz com que se posicione numa zona cinzenta entre a ficção e o documentário, juntando actores profissionais e amadores e recorrendo a cenários reais. Aliás, Segre começou mesmo o seu percurso fílmico realizando pequenos documentários com uma forte componente política e de denúncia. O realizador explica qual a principal diferença que encontrou entre o documentário e a ficção na relação com os actores:

Ao realizar documentários normalmente procurava encontrar numa “pessoa real” a capacidade para ser “um actor” ao contar a sua história. Neste filme [Shun Li e o Poeta] procurei que os actores se tornassem “pessoas reais” na sua interpretação, razão pela qual eles vieram para Chioggia três semanas antes da rodagem e ensaiaram com pescadores locais e trabalhadores chineses.

O realizador Andrea Segre, além dos prémios arrecadados com Shun Li e o Poeta, apresentou o seu último documentário Indebito, sobre o escritor-músico Vinicio Caposella, no último Festival do Cinema de Locarno e neste momento está a produzir a segunda longa-metragem de ficção La Prima Neve com a qual participa na próxima edição do Festival de Veneza.

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