SALAS DO MUNDO: Pathé Tuschinski, em Amesterdão

Inauguramos hoje uma nova rubrica no Cinemaville. Trata-se de uma espécie de volta ao Mundo em salas de cinema, na qual pretendemos dar a conhecer os mais exóticos, singelos, espectaculares ou simplesmente insólitos locais de exibição de filmes espalhados pelo planeta.


Começamos por Amesterdão, na Holanda. Vindo da parte mais antiga da cidade a caminho da praça Rembrandt, quem passa pela Reguliersbreestraat não fica indiferente ao exuberante edifício Tuschinski, em particular às suas duas torres e à sua fachada contrastante com as demais. Actualmente propriedade da Pathé, este autêntico palácio foi construido por iniciativa do polaco Abraham Icek Tuschinski, em 1921. Embora não seja um facto confirmado, é comumente aceite que Abraham era um judeu relativamente pobre, um alfaiate auto-didacta que perseguia o sonho de ir para a América. Chegando a Roterdão no início do século XX, Tuschinski entre no negócio dos cinemas e beneficia da ascenção da sua popularidade na época, conseguindo em pouco tempo abrir quatro salas na cidade. Mudou-se para Amesterdão em 1917, juntamente com os seus dois irmãos, e um ano mais tarde inicia a construção do edificio Tuschinski, que terá custado 4 milhões de florins (equivalente a cerca de 2 milhões de euros)

Inicialmente o projecto foi concebido por Hijman Louis de Jong e comportava uma mistura de estilos que iam da Escola de Amsterdão ao Jugendstil, do Art Nouveau ao Art Déco, alimentando a vontade de Tuschinski em simular uma ilusão, a entrada no mundo dos sonhos. Mas de Jong acabaria por ser despedido antes da conclusão da construção, tendo os interiores sido completados pelos arquitectos Pieter den Besten e Jaap Gidding.


Simultaneamente luxuoso, imponente e algo sombrio, o foyer principal está decorado de forma eclética, conciliando vitrais, madeira trabalhada e algumas esculturas em bronze. Este é o espaço preferencial para se aguardar pelo início das sessões, onde funciona também o café-bar. Por seu turno, a sala principal é absolutamente majestosa, bem ao estilo das salas de ópera, com balcões e camarotes, inicialmente com uma capacidade de 1200 lugares.

Abraham Tuschinski e a sua família foram mortos em campos de concentração nazis durante a ocupação alemã, tendo o próprio nome do cinema sido temporariamente alterado para Tivoli, embora o original fosse reposto após a guerra.


Para além da projecção de filmes, este edifício também já foi palco de inúmeros concertos. Judy Garland, Marlene Dietrich, Edith Piaf ou Dizzy Gillespie são apenas alguns dos nomes que já actuaram no Tuschinski. Existia ainda uma orquestra residente que animava o foyer antes das sessões, que entretanto cessou funções, e, a partir de 1974, as projecções deixaram de ser antecididas de música ao vivo.

Mantendo o seu aspecto retro e exótico, à entrada para o século XXI o cinema foi restaurado, tendo em conta a sua afirmação como monumento histórico, mas também modernizado, já que foram acrescentadas mais três salas nas traseiras do edifício e actualizado todo o equipamento técnico. Hoje conta no total com seis salas de cinema e todas as grandes ante-estreias de cinema na Holanda têm lugar aqui, ocasiões em que é comum colocar-se uma longa passadeira vermelha na entrada e avistarem-se limousines.

Anúncios

Comentários

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s