«Magia Ao Luar» e mistérios insondáveis

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Perto de completar 80 anos e de alcançar o impressionante número de 50 longas metragens escritas e realizadas, Woody Allen prova com Magia ao Luar que ainda tem algo para oferecer ao cinema e que será sempre merecedor do benefício da dúvida a cada nova produção. Claro que quantidade não equivale a qualidade, mas este é um filme alguns furos acima de recentes desilusões como Scoop ou Para Roma Com Amor. É impressionante a mestria dos diálogos e o domínio dos planos, fazendo parecer simples e rotineira a tarefa de (bem) filmar. De realçar igualmente a beleza oferecida pela fotografia e pela recriação de época, tanto em termos de cenários como de guarda-roupa e até mesmo de automóveis. Para além disso, se por diversas vezes Allen se mostrou capaz de desenhar personagens de notável profundidade, potenciando o talento dos actores ao ponto de nos seus filmes emprestarem performances de nível superior, esse é uma vez mais o caso: Colin Firth é não menos que soberbo no desempenho Stanley, um ilusionista britânica céptico incurável, hiper-racional e desencantado com a vida mas dotado de um humor mordaz e de uma incapacidade de fazer amigos. Ainda que menos impressionante, a interpretação de Emma Stone é no mínimo o resultado de um casting feliz (muito ajudam os seus enormes olhos), cumprindo bem o papel da jovem medium que reúne todas as atenções ao seu redor. Nota ainda para a subtileza como Woody Allen parece querer incorporar a sua própria visão metafísica (pelo menos assim se imagina), neste caso da vida para além da morte e dos poderes paranormais. 
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O principal revés está na incapacidade da narrativa em manter até ao final o fôlego e a consistência demonstrados durante a primeira hora de filme. É abrupta a incorporação da vertente romântica e nem sempre suficientemente credível, embora se aceite que sem ela o filme correria o risco de ser tornar insípido. Aliás, só o facto da acção ter lugar nos final dos anos 1920 pode desculpar a disparidade etária entre a dupla de protagonistas, sobretudo considerando os caminhos por onde o argumento os leva. O registo da personagem de Firth por vezes roça o repetitivo e o previsível, algo que a espaços também se aplica à globalidade do filme. Acaba por se revelar uma adição menor ao percurso de Allen e dificilmente será recordado como uma das suas mais distintas e criativas obras.

 Classificação (0-10): 7

 

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