Peter von Bagh bem vivo no Doclisboa ’14

peter

Numa edição dedicada a Peter von Bagh o Doclisboa homenageia o cineasta que mantinha uma relação estreita com Portugal, quer a nível profissional quer pessoal. Com presença assídua no Doclisboa, este foi presidente do Júri do festival em 2011. O programa conta com o seu penúltimo filme e mais pessoal Muisteja (Remembrance), na secção Riscos, bem como o seu derradeiro projecto Socialism, que encerrará o festival. Peter von Bagh, faleceu este ano, aos 71 anos, nascido em Agosto de 1943 em Helsínquia, onde passou grande da sua vida e à qual dedica o documentário Helsinki, Forever (2008).

If you have four unfinished projects and don’t know how to pull them off, start yet another one – Peter von Bagh

Este mote ilustra bem a carreira do cineasta que no seu currículo acumula trabalhos como crítico de cinema, historiador e curador de vários festivais, fundador e director do Midnight Sun Film Festival e mais recentemente como programador do festival Cinema Ritrovatto, em Bolonha e director da Cinemateca Finlandesa. A sua paixão pelo cinema estendeu-se até à academia onde foi professor de história do cinema das futuras gerações de actores de teatro e cinema. Editou e foi autor de inúmeros livros (num total de 34 da sua autoria, entre os quais A História do Cinema 1975 e 1998 e um dedicado a Charles Chaplin editado ano passado, 2013).

Mas Peter von Bagh não foi apenas um cinéfilo de excepção. A partir do seu conhecimento de filmes e arquivos cinematográficos ele próprio veio progressivamente a dedicar-se à realização, tornando-se mesmo num caso único de alguém que tendo-se dedicado à preservação do património cinematográfico desenvolveu filmes feitos a partir de imagens de arquivo, obras pessoais e também verdadeiros ensaios fílmicos, o que motivou o elogio que lhe foi feito pelo mestre francês do cinema-ensaio Chris Marker:

Few movies may boast a stronger opening sequence, and few movies offer such an extraordinary finale. And in-between I guess what I admire most is the fluidity of the editing, your way to play with time in a manner that comes at once as always surprising and perfectly natural. HELSINKI deserves its rank among the great “city-poems”, and I’d rate it above Ruttmann, for instance, for one reason: if I read in his BERLIN the social commitment and the aesthetic maestria, I don’t feel the personal acquaintance with the city, its history, its ghosts, that I found in yours. Also something that many have a tendency to underestimate but which for me is crucial: the music. The Zeppelin sequence by itself carries a haunting beauty, akin to Fellini’s liner, but I don’t think it would attain this climax of emotion if at that moment the music didn’t bring the perfect tune of melancholia. So with the choice of incredible documents and the unfailing mixture of both musical items, editing and score, you made an unforgettable film. – Chris Marker sobre Helsinki, Forever (2008). 

Para além do cinema e dos livros ele esteve igualmente ligado à rádio com o programa Films Bigger Than Life de 1984 a 1993, e à televisão onde criou vários programas e séries galardoadas.

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