«A Teoria de Tudo», a Descoberta de Stephen Hawking

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Inspirador, tocante, brilhante. A Teoria de Tudo é o mais recente filme de James Marsh, um realizador até aqui dividido entre o documentário (quem não se lembra de Homem no Arame, 2008) e a ficção (Dança de Sombras, 2012). Marsh tem abordado histórias tão interessantes quanto humanas e A Teoria de Tudo é sem dúvida o clímax da sua carreira. O argumento, baseado no livro que Jane Hawking (ex-mulher de Stephen Hawking) escreveu sobre a sua relação com o físico, é uma versão light do que realmente aconteceu, uma escolha do realizador e do casal com vista a celebrar os feitos e as conquistas do casal. O filme começa pelo fim (ou não fosse o tempo central na teoria da relatividade), no momento em que Hawking é condecorado em Buckingham Palace, mas rapidamente somos transportados até ao início desta história de amor, em 1963. Numa analogia à sua própria pesquisa, para compreender o presente teremos de recuar até ao início de tudo, e que singulares eles eram…

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Stephen (Eddie Redmayne), um jovem no início do doutoramento em Cosmologia e que abandonou Oxford para percorrer as ruas de Cambridge na sua bicicleta. Ao contrário de muitos físicos e matemáticos retratados como seres brilhantes mas com enormes dificuldades de socialização (de que são exemplo Turing em O Jogo da Imitação, Maximillian Cohen em Pi, John Nash em Mente Brilhante e Robert em A Prova), Stephen é uma pessoa detrato fácil e com um humor irresistível. A jovem Jane Wilde (Felicity Jones) é igualmente encantadora mas é a antítese de Stephen, já que estuda Línguas estrangeiras e poesia e é religiosa, algo que não se enquadra com o espírito científico e crítico dele: “Tenho um pequeno problema com a premissa do ditador-celestial”. Tal como na ciência, as cargas opostas deste casal atraíram-nos, mas rapidamente tudo muda com a descoberta da doença degenerativa de Stephen. Apesar da realidade ser bastante mais cruel do que as cores pasteis do filme deixam parecer (vertente que ficou guardada no livro), na tela vemos uma homenagem a esse amor, amizade e respeito que há entre eles.

Theory of Everything

O argumento de McCarten vai pontuando a narrativa com algumas ideias e marcos científicos de Stephen Hawking, transmitindo a linguagem cientifica em analogias acessíveis ao público em geral (como a cena em Jane compara a gravidade a batatas e a mecânica quântica a ervilhas). Ou em metáforas visuais, como quando, ao preparar-se para vestir uma camisola, Stephen contempla o fogo da lareira e o associa a um buraco negro, ou nas repetições simbólicas de círculos e elipses em movimento, ou quando Stephen e Jane andam à roda no relvado à beira rio remetendo para a reversibilidade do tempo. A Teoria de Tudo releva o lado mais pessoal do homem, uma vez que o seu intelecto e legado para a física são amplamente conhecidos. Descobrimos o homem por detrás do génio, um ser com uma mente tão prodigiosa que é suficiente para o manter vivo e realizado. Outra grande descoberta é Jane, a mulher que esteve ao seu lado e o fez renascer, tanto pelos três filhos como na postura inquebrável em que perante qualquer consequência adversa diz: “O que importa é que Stephen viva”.

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Num filme biográfico sobre personalidades públicas o casting foi crucial e aqui todos foram escolhidos a dedo, no entanto a prestação de Redmayne destaca-se. O actor capta e incorpora todos os trejeitos que a perda de controlo nos movimentos infligiu em Hawking de uma maneira muito natural sem nunca cair na caricatura. Sem dúvida a fasquia para o Oscar de melhor actor ficou muito elevada.

Uma teoria física ou matemática deve ser simples e elegante ainda que contenha em si uma complexidade imensa. Assim é esta obra, com uma estrutura narrativa linear, sem grande mestria na realização mas com uma estética que envolve os sentidos, seja a visão através da fotografia de Benoît Delhomme ou a audição pela banda sonora cativante de Jóhann Jóhannsson.

Classificação (0-10): 8

A Teoria de Tudo | 2014 | 123 mins | Realização: James Marsh | Argumento: Anthony McCarten e Jane Hawking | Elenco principal: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Tom Prior, David Thewlis, Emily Watson 

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