MOTELx 2015 Report #2: 10 e 11 de Setembro

Dia 3: Quinta, 10 de Setembro

O terceiro dia do MOTELx prometia a primeira aparição do principal convidado junto do público. Assim aconteceu na sessão que exibiu três curtas-metragens de Richard Stanley, com a presença do cineasta. Seguiu-se a apresentação do livro “MOTELx – Histórias de Terror”, uma das grandes surpresas do festival fora do ecrã, que através de um concurso de contos proporcionou à vencedora Cláudia Fernandes ver o seu conto publicado juntamente com os de Adolfo Luxúria CanibalAfonso Cruz, Filipe Homem Fonseca, Inês Fonseca Santos, entre outros.

Foi igualmente na presença de convidados de honra que se iniciou a sessão de Road Games, nomeadamente do realizador Abner Pastoll, da co-protagonista Joséphine de La Baume e da produtora Junyoung Jang. O filme em si foi maioritariamente uma desilusão, muito por responsabilidade das interpretações pouco credíveis, da cadência entediante mas principalmente de uma trama cujos pontos chaves parecem colados com cuspo. Para a meia-noite era esperado o novo de Takashi Miike, um cocktail assumidamente trash de acção, máfia japonesa e vampiros intitulado Yakuza Apocalypse.

 

Dia 4:  Sexta, 11 de Setembro

Com o fim-de-semana à espreita, que melhor forma de começar mais um dia “maldito” do que assistindo a uma demonstração ao vivo das mais modernas e aterradoras técnicas de caracterização no cinema de terror? Os especialistas Dave Bonneywell (com trabalho feito em projectos como Dog Soldiers, 28 Weeks Later, Seed of Chucky ou Hellboy 2: The Golden Army) e Rita Anjos (que mostrou o seu talento em Dédalo, Child 44, Doctor Who e The Forest) fizeram as delícias de todos os que apreciam uma personagem bem desfigurada.  Ao mesmo tempo, assistia-se na sala principal do Cinema São Jorge a Purgatory, de Pau Teixidor, cuja premissa se revestia de potencial: uma mulher que perdeu o filho muda-se com o namorado para uma nova casa onde certa noite, encontrando-se sozinha, uma vizinha lhe pede de emergência que tome conta de um rapaz de 10 anos. Acontece que aparentemente ninguém regressa para o vir buscar e o jovem parece ter algum tipo de distúrbio psicológico, ao ponto de ver outra criança na casa que mais ninguém vê. Por um lado, em termos técnicos o filme mostra-se bem executado, sobretudo considerando os meios aparentemente escassos, criando um ambiente claustrofóbico num deserto suburbano, com movimentos de câmara que acentuam habilmente a perturbação da protagonista. Contudo, e pela negativa, a cadência lenta com que se constrói a tensão acaba por ter pouca relevância, os elementos simbólicos usados são previsíveis e os flashbacks desnecessários, ficando a sensação paradoxal de que é explicado excessivamente o que é óbvio ficando por explicar questões fundamentais da trama.

Ao cair da noite, uma parte do público colocou à prova os seus conhecimentos de cinema de terror no sempre muito concorrido MOTELquiz, enquanto outros assistiam a Cop Car, um improvável thriller encabeçado por Kevin Bacon que parte de um pressuposto caricato: dois rapazes metem-se em sérios sarilhos quando decidem dar uma volta num carro da polícia, sendo que a situação se complica progressivamente e cada vez mais a sua saída é conduzir mais depressa prosseguindo em fuga.

Cop Car

Cop Car

A fechar o dia, duas sessões da meia-noite lotadas: uma delas em dose dupla (Turbo Kid + Everly, o segundo com Salma Hayek no papel principal), outra com o bizarro “mocumentary” What We Do In The Shadows. Esta espécie de reality show cómico mostra a vida e o drama de três vampiros de outros tempos, com idades separadas por largas centenas de anos, que partilham uma casa e todos os desafios da sociedade contemporânea, todas as dificuldades de viver em comunidade, tanto a que os estranha na rua como a que os três tentam formar dentro de portas. Hilariante e inteligente, sem dúvida uma abordagem inovadora ao universo vampiresco!

What We do in the Shadows

What We do in the Shadows

 

 

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