Indielisboa’16: guia para o essencial do festival

IndieLisboa'16 cartaz

Aproxima-se o início 13ª edição do IndieLisboa, que tem lugar de 20 de Abril a 4 de Maio repartindo-se entre Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa e Cinema Ideal, salas em que serão exibidos um total de 289 filmes (87 longas e 202 curtas metragens) que representam bem o cinema independente actual. Em seguida ajudamos com a selecção de algumas das propostas mais importantes de todo o festival.

Abertura e encerramento

No dia 20 de Abril, pelas 21h30, a cerimónia de abertura do IndieLisboa 2016 irá levar-nos, com Love & Friendship, de Whit Stillman, numa viagem literária até ao conto de Jane Austen que a mestria do realizador transformou – como habitual – numa divertida comédia de costumes. Por seu turno, Mia Hansen-Løve, que venceu o prémio de melhor realizadora no Festival de Berlim com a sua última obra, fará as honras da sessão de encerramento do festival, que se realiza depois da cerimónia de entrega de prémios, no Domingo, dia 1 de Maio. Isabelle Huppert, a protagonista de L’avenir, é uma professora de filosofia que procura reencontrar-se depois da morte da mãe, da traição do marido e de uma certa estagnação profissional.

Destaques

Love, de Gaspar Noé, foi antestreado no Festival de Cannes, onde foi um dos principais acontecimentos, e vai ter antestreia nacional em 3D no IndieLisboa, no domingo, 24 de Abril, às 21h45, no Cinema São Jorge. É um filme erótico em 3D, aplaudido pela crítica internacional que destaca a sensualidade e beleza com que o sexo é filmado. A sessão será seguida de uma festa no Metropolis e o filme estreia mais tarde em Portugal a 9 de Junho em exclusivo em 3D em Lisboa e no Porto no UCI El Corte Inglés e no UCI Arrábida e em várias salas de todo o país.

The Lobster marca o regresso de Yorgos Lanthimos, realizador cujas personagens espelham tendencialmente uma certa angústia existencial contemporânea. Sejam elas obcecadas pelos seus dentes caninos (Dogtooth), pela imitação de parentes falecidos (Alpis) ou pela reencenação de homicídios (Kinetta). Desta vez estamos num futuro distópico próximo e os solteiros são levados, de acordo com as leis da cidade, para o Hotel. Aí, terão de encontrar parceiro em 45 dias ou o seu destino será o Bosque, onde serão transformados em animais selvagens. Colin Farrell dá corpo a este conto sobre a solidão.

Na secção Boca do Inferno haverá uma maratona noite dentro, com obras de realizadores que não tiveram medo de avançar por territórios por explorar. São eles os monstros criados pela psique adolescente (Der nachtmar), póneis alucinados (Lesley the Pony has an A+Day), monstros humanos criados pela força de uma burocracia interminável (Un monstruo de mil cabezas), flatulências mortíferas (The Procedure) e monstros do terror clássico, como as bruxas do muito aguardado The Witch, de Robert Eggers. Para quem tiver coragem de a enfrentar, a maratona acontece no dia 23 de Abril, a partir das 23h30 no Cinema Ideal.

Homenagens

Paul Verhoeven será um dos dois realizadores homenageados na secção Herói Independente do IndieLisboa 2016. Em colaboração com a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, esta será a primeira retrospectiva integral em Portugal das obras para cinema do cineasta holandês mais amado do grande público, o realizador que colocou a violência e o sexo ao serviço da crítica político-social. Em 2015 celebrou-se o vigésimo aniversário do maior amor-ódio de estimação da história de cinema, Showgirls, enquanto os clássicos Robocop (1987) e Total Recall (1990) caminham já para os 30 anos de existência. Ainda antes disso, conhecemos um outro Verhoeven – pré-Hollywood – que cresceu como voz autoral em território holandês. Um cineasta sem medo de explorar uma visão francamente singular e arrojada, notória desde Diary of a Hooker (1971) e Turkish Delight (1973), as suas primeiras longas metragens para cinema. O IndieLisboa mostrará, entre curtas e longas metragens, 21 filmes do realizador.

O Le Monde chamou-lhe “bomba teatral”, o The Guardian “o novo Gérard Depardieu”. Não há dúvida que Vincent Macaigne é o mais marcante actor da sua geração mas a representação é apenas uma das suas muitas faces: o Macaigne que trazemos ao IndieLisboa 2016 é também realizador, dramaturgo e encenador. Quem esteve atento ao cinema francês dos últimos anos viu muitas vezes este génio do realismo seduzir todos com uma sinceridade desarmante. Vamos comprová-lo em Les Deux Amis, um filme de Louis Garrel e em Tonnerre, de Guillaume Brac. Poderemos mergulhar na sua doce voz em Le repas dominical, de Céline Devaux, vê-lo reinventar Molière na sua primeira longa metragem, realizada em 2015, Dom Juan & Sganarelle. Iremos também partilhar momentos irrepetíveis, conversas e Q&A’s com o actor, durante o festival.

Cinema português

A produção portuguesa tem sempre um lugar importante em todas as edições do IndieLisboa e este ano não é excepção. Sublinhamos a estreia dos filmes O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu, de João Botelho, A Vossa Terra, de João Mário Grilo (sobre a figura e pensamento de Gonçalo Ribeiro Telles) e A Ilha dos Ausentes, de José Vieira (um filme-ensaio sobre a emigração portuguesa em França). Estão também de regresso Sérgio Tréfaut, com Treblinka, uma viagem guiada por Isabel Ruth à memória do holocausto, pelos caminhos férreos que ligam hoje Polónia, Rússia e Ucrânia, e Leonor Teles em modo activista e punk com Balada de um Batráquio, vencedor do Urso de Ouro no festival de Berlim.

Revelações

Boi Neon é a segunda longa metragem de ficção do cineasta brasileiro Gabriel Mascaro. Eis a história de Iremar, um vaqueiro de curral em viagem pelo nordeste brasileiro que não abdica do seu sonho de um dia se tornar estilista. Este road movie sentimental recebeu inúmeros prémios desde que foi mostrado pela primeira vez no Festival de Veneza, onde recebeu o Prémio Especial do Júri Horizontes.

Que as quase cinco horas de duração de The Family, de Shumin Liu, não vos afastem desta sessão. Já descrito como uma versão contemporânea do clássico japonês Tokyo Story, de Yasujiro Ozu, também aqui, um casal junto há meio século decide visitar os filhos que as circunstâncias da vida levaram para longe. Neste filme, que seduziu parte da crítica no último Festival de Veneza, o chinês residente na Austrália, Shumin Liu, trabalhou sobretudo com actores não profissionais, assinando um longo retrato, quer das relações entre pais e filhos, quer das vivências quotidianas do mundo chinês actual, em especial Xangai.

Com James White o produtor de Afterschool (Antonio Campos) ou Martha Marcy May Marlene (Sean Durkin) estreia-se na realização, com um retrato da luta de crescimento de um jovem, no frenesim da cidade de Nova Iorque. Álcool, drogas, sexo, um temperamento irascível e autodestrutivo parecem mantê-lo à prova num momento em que a sua mãe (Cynthia Nixon) cada vez mais precisa da sua ajuda. Christopher Abbot, no papel do protagonista, já foi chamado de novo Harvey Keitel e outros elogios não têm faltado a este tocante filme.

IndieMusic

O caos selvagem dos The Parkinsons, que os levou tão rápido até à ribalta quanto os devorou por dentro, chega-nos em imagens e sons inéditos reunidos no documentário de Caroline Richards, A Long Way to Nowhere (dia 22 de Abril, sexta-feira, às 21h15, no Cinema São Jorge). A realizadora estará presente na sessão e a banda punk de Coimbra actua depois da sessão no âmbito do IndiebyNight, a partir das 23h00, na Taberna das Almas.

Janis Joplin é um dos inúmeros talentos desaparecidos precocemente por causa das drogas. Em Janis: Little Girl Blue (dia 22, sexta-feira, às 21h30, Cinema São Jorge) revela-se, além-túmulo, num conjunto de cartas que enviou a pais, amigos e colaboradores, com as palavras secretas de Joplin lidas por Cat Power sobre imagens da “rainha do rock and roll”.

Mas há também testemunhos de resistência através da música. Sonita (dia 23, sábado, às 18h00, no Cinema São Jorge) resiste à doença da sociedade em que vive. Ela é uma imigrante afegã de 18 anos a viver ilegalmente no Irão que transforma os obstáculos da conservadora sociedade iraniana num motivo para inspirados temas rap que desafiam a ordem patriarcal em vigor. Outra história de resistência contra a intolerância e a injustiça é Mali Blues (dia 30, sábado, às 18h00). Este filme reúne o melhor da cultura maliana para uma viagem pela estrada fora por um país que corre o risco de ver a suas formas de expressão amordaçadas pela lei da Xaria.

Programação completa no site oficial.
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