Festival Córtex homenageia João César Monteiro na sua 4.ª edição

João_César_Monteiro_Córtex2013_horizontal

A 4.ª edição do Festival Córtex – Festival de Curtas Metragens de Sintra dedica a sessão de abertura, na quinta, 10 de Outubro, ao aclamado e irreverente cineasta português João César Monteiro, assinalando os 10 anos do seu falecimento. A homenagem conta com a exibição de 9 curtas metragens do cineasta, uma exposição de fotografias de rodagem e um debate com a presença de cineastas e colaboradores de João César Monteiro, ao longo do seu percurso.

“Nasci aos 2 de Fevereiro de 1939, na Figueira da Foz. Tive infância caprichosa e bem nutrida, no seio de uma família fortemente dominada pelo espírito, chamemos-lhe assim, da 1.ª República. Escusado será dizer que abundavam os dichotes anti-clericais, muito embora o meu pai desejasse que eu viesse a seguir a carreira eclesiástica. Em suma: não se percebia nada. Pelo menos à primeira vista….”

É no final da década de 1960 que inicia a sua primeira obra cinematográfica Sophia de Mello Breyner Andresen, trabalhando com o produtor Ricardo Malheiro.

João César Monteiro começa a actividade na escrita com o livro de poemas Corpo Submerso em 1959, edição de autor. Só voltaria a publicar nos anos 1970 com a chancela do seu amigo editor, Vítor Silva Tavares. Para além dos argumentos dos seus filmes, em si mesmo obras de grande valor literário, a sua obra escrita encontra-se ainda nas páginas das revistas em que exerceu crítica de cinema. O primeiro data de 1960, Lembrança de Gerard Philipe publicado na revista Imagem, em Abril desse ano. Nos anos seguintes publica ainda no Jornal de Letras e no Tempo e o Modo. Os seus textos surgem no Diário de Lisboa e entre 1973 e 1974, escreve regularmente na revista Cinéfilo.

A seguir a Sophia veio Quem espera por sapatos de defunto morre descalço, produzido e filmado sob os auspícios da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi a estreia no cinema de Luís Miguel Cintra, filmado no papel de Lívio, a personagem que o mesmo actor retoma em Recordações da Casa Amarela 20 anos mais tarde. Entre 1978 e 1979 realiza A MãeOs dois soldados e O amor de três romãs, três curtas metragens filmadas para a RTP, com produção de Manuel Costa e Silva e do próprio João César, partindo de adaptações de contos populares. Conserva Acabada foi realizado a seguir a Recordações da Casa Amarela. Aqui, João César assume a dimensão cómica da sua persona cinematográfica, o gosto pelo trocadilho e pela citação “desviada” exercitada com vigor a e naturalidade. Conserva Acabada não deixa de ser uma reflexão sobre o processo de criação cinematográfica em Portugal.

Lettera Amorosa de 1995 é uma curta metragem realizada com algumas sequências que foram filmadas em scope, na primeira versão de A Comédia de Deus. Em Passeio com Johnny Guitar apreciam-se imagens solitárias e melancólicas. Na banda sonora ouvem-se excertos do mais famoso diálogo de “Johnny Guitar” entre Joan Crawford e Sterling. A sua última curta O Bestiário ou o Cortejo de Orfeu é uma sequência inteiramente retomada da Comédia de Deus, em que João César Monteiro acrescenta um prólogo e um epílogo.

Em 2003, ano em que o cineasta falece, João César Monteiro estreia a última das suas obras, um auto-retrato fantasiado, Vai e vem, onde são reveladas algumas das preocupações que motivaram todos seus trabalhos cinematográficos.

O seu percurso singular e imprevisível valeu-lhe vários prémios internacionais, tais como: Leão de Prata por Recordações da Casa Amarela e o Grande Prémio do Júri por A Comédia de Deus, no Festival de Veneza, entre muitos outros.

Nas rodagens dos seus filmes, o cineasta referia regularmente “o ideal é chegar ao plateau com a frescura de uma rosa e a agilidade de um caçador perante a presa. Para bem saudar a beleza do mundo, como é evidente. E a beleza do mundo, como se sabe, é a beleza do cinema”.

A homenagem ao cineasta João César Monteiro será assinalada na conferência de imprensa do Festival Córtex, no próximo dia 18 de Setembro, quarta-feira, pelas 14h30, no restaurante Pharmacia (Rua Marechal Saldanha, 1, Santa Catarina – Lisboa), onde estarão presentes Ana Isabel Strindberg, companheira, assistente do cineasta e programadora de cinema, que apresentará o ciclo dedicado ao realizador, Michel Simeão e José Chaíça, directores e programadores do Córtex, e os membros do júri da Competição Nacional e Internacional – Carla Chambel, Graça Castanheira, José Vieira Mendes, Marta Fernandes e Nuno Galopim.

Anúncios

Comentários

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s