8 ½ Festa do Cinema Italiano: «La Mia Classe», lições de vida sem docente

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Como começar a falar do filme La Mia Classe, o novo projeto da realizadora Daniele Gaglianone? Podemos partir do mais superficial, epidérmico até, tema da diversidade cultural e racial na Europa, mais propriamente em Itália. Não há como negar a pretensão em atingir um alto valor humano. De facto, não só tenta afirmar-se como obra de intervenção social, em defesa da multiculturalidade, como também tenta fazer uma interpretação deste conceito de uma nova forma, procura uma definição filosófica profunda, o que, o facto de se tratar ou não de uma simples futilidade, ficará a cargo do espetador decidir.

Mas, como disse no início, esta película tem uma particularidade muito interessante que faz com que valha a pena vê-la, uma vez que são raros este tipo de “artifícios técnicos” no cinema contemporâneo. Não se trata apenas de um longo anúncio da Benetton em formato longa-metragem pois aqui a paleta de cores não é só composta por aquelas do círculo cromático da pele mas, sobretudo, por aquelas que não são captadas pela retina.

A realizadora tenta a difícil tarefa de criar um filme dentro de outro filme, fazendo com que toda a ação caminhe numa linha entre a realidade e a ficção. As pessoas são reais, o único ator é o professor Attanasio (Valerio Mastandrea), ele vai interagir com os supostos alunos que, embora encenem os seus problemas para a câmara, quando esta se desliga e a segunda câmara entra em ação, vemos que os problemas não são assim tão diferentes. Podemos perceber até que ponto é possível encenar realmente as emoções humanas.

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O que há a lamentar é o valor cinematográfico pobre de toda a obra, a escolha de planos não é variada e embora a ideia da sala de aula pequena e dos corredores da escola semiescurecidos permita que o espetador crie laços com as personagens, falta mestria na utilização da câmara. É de salientar a maneira crua com que as histórias pessoais são contadas, sem recorrer a clichés ou truques baratos para provocar comoção.

Todo o ritmo é lento, talvez demasiado lento, o que fará com que o espetador menos interessado no conceito central do filme perca o interesse. Atrevo-me até a dizer que a monotonia em que cai a narrativa, pelo menos até aos últimos minutos, pode aborrecer mesmo aqueles atraídos pelo jogo realidade/ficção.

Com todas as falhas que possa ter, é de louvar a inovação numa arte em que os realizadores, muitas vezes influenciados por fatores económicos, preferem não correr riscos e produzir obras que se tornam indiferenciadas no tempo. Da hora e meia passada a olhar para a tela fica o prazer de desenrolar a duplicidade, por vezes indistinta, entre a história humana central e a exploração destas realidades num segundo plano.

Classificação (0-10): 6

La Mia Classe | 2013 | 92 mins | Realização: Daniele Gaglianone | Argumento: Gino Clemente, Daniele Gaglianone, Claudia Russo | Elenco principal: Valerio Mastandrea

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